Ensaio Energético

Gás Natural

Eficiência e Flexibilidade no Transporte de Gás: o Papel do Mercado Secundário de Capacidade

O artigo analisa o funcionamento do mercado secundário de capacidade de transporte de gás natural, com ênfase na regulação brasileira e nas principais experiências internacionais, especialmente o modelo europeu. Inicialmente, são apresentados os conceitos fundamentais desse mercado e seus benefícios para a eficiência alocativa, a liquidez e a concorrência. Em seguida, examinam-se as boas práticas regulatórias adotadas na Europa e o arcabouço normativo brasileiro, identificando convergências e limitações. Os resultados indicam que, embora o Brasil disponha de base legal para o desenvolvimento desse mercado, persistem desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos. Conclui-se que o aprimoramento das regras e da infraestrutura de negociação é essencial para promover maior flexibilidade, eficiência e competitividade no mercado de gás natural.

Leia Mais »
Energia Renovável

Fundos Soberanos e Ação Climática: Novas estratégias e o caso do Espírito Santo

Os fundos de riqueza soberana (FRS), historicamente concebidos como instrumentos de prudência fiscal, vêm assumindo papel crescente na agenda climática, seja como gestores dos riscos físicos e de transição a que estão expostos, seja como financiadores da transição para uma economia de baixo carbono. Este artigo analisa a interface entre as funções dos FRS e a ação climática. Primeiro, apresenta uma tipologia dos fundos segundo seus mandatos e discute como a agenda climática se insere em cada um deles. Em seguida, distingue as dimensões de poupança e desenvolvimento frente à ação climática. Por fim, examina o caso do Fundo Soberano do Espírito Santo (FUNSES), cuja arquitetura de poupança/estabilização e desenvolvimento oferece um modelo de alinhamento à agenda climática em âmbito subnacional.

Leia Mais »
Gás Natural

A Cláusula de PD&I no Setor de Petróleo e Gás no Brasil: Evolução Institucional, Impactos e Desafios

O artigo analisa a trajetória institucional da Cláusula de PD&I no setor de petróleo e gás e avalia sua efetividade como instrumento de política pública para fomentar inovação e desenvolvimento tecnológico no Brasil. Ao longo de 25 anos, consolidou-se como fonte estável de financiamento, com mais de R$ 37,8 bilhões investidos e mais de 15 mil projetos. Os resultados incluem fortalecimento da infraestrutura científica, formação de recursos humanos, avanço de tecnologias offshore, diversificação das operadoras e maior atenção à transição energética e à descarbonização. Como desafios, destacam-se ampliar a participação da cadeia fornecedora nacional, aprimorar a governança e integrar a cláusula à política de conteúdo local.

Leia Mais »
Bioenergia

A DEFINIÇÃO DA INTENSIDADE DE CARBONO DO BIOMETANO NA RESOLUÇÃO CNPE Nº 4/2026: IMPACTOS SOBRE A META DE AQUISIÇÃO DE BIOMETANO E A EMISSÃO DE CBIOS

A Resolução CNPE nº 4/2026 estabeleceu a meta inicial do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano em 0,5% para 2026, equivalente a 504,8 mil m³/d de biometano. Entretanto, as premissas utilizadas pelo Conselho para definir as Intensidades de Carbono (ICs) do biometano divergem daquelas propostas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), cuja metodologia foi adotada como referência para a conversão da meta de redução de emissões em meta volumétrica. Enquanto a EPE considera duas ICs distintas para o biometano, diferenciando o segmento automotivo dos demais usos, o CNPE reconheceu apenas uma única IC para o biocombustível. Este artigo analisa os impactos regulatórios dessa inconsistência metodológica sobre a meta volumétrica de aquisição de biometano e sobre a emissão de Créditos de Descarbonização (CBIOs) no âmbito do RenovaBio. Os resultados indicam que, caso o CNPE mantenha as ICs previstas na Resolução nº 4/2026, seria necessária uma redução de aproximadamente 0,17% na meta volumétrica de aquisição de biometano para adequação da metodologia de conversão da meta. Por outro lado, o alinhamento da regulamentação às premissas da EPE implicaria o reconhecimento por parte do CNPE de emissões fugitivas no abastecimento veicular, o que poderia reduzir em cerca de 2,3% a emissão potencial de CBIOs dos produtores de biometano certificados no RenovaBio.

Leia Mais »
Energia Renovável

Colombia en transición: avances y retos de la agenda energética del gobierno de Gustavo Petro

Teniendo en cuenta que el mandato del presidente de Colombia, Gustavo Petro, está llegando a su fin, este ensayo presenta un balance de las principales medidas implementadas por el gobierno de Petro en el sector energético colombiano. Entre ellas se destacan: (1) la creación e implementación de comunidades energéticas; (2) la expansión de las fuentes no convencionales de energía renovable en el Sistema Interconectado Nacional (SIN); (3) la política de hidrocarburos; (4) los programas orientados a la reducción de las tarifas de la energía eléctrica; y (5) el reajuste gradual de los precios de la gasolina y el diésel. El informe concluye que el gobierno de Petro dejó una agenda energética ambiciosa, con avances importantes en la transición energética justa, especialmente mediante la expansión de las energías renovables y el desarrollo de comunidades energéticas. Sin embargo, persisten importantes retos relacionados con la seguridad del suministro de gas, la sostenibilidad fiscal, la ejecución de proyectos de energías renovables no convencionales que aún están atrasados y los efectos distributivos que genera el aumento de los precios de la gasolina y el diésel. Al final, el artículo presenta reflexiones sobre los principales retos a los que deberá enfrentarse el próximo gobierno en el sector energético colombiano.

Leia Mais »
Energia Renovável

Colômbia em transição: avanços e desafios da agenda energética do governo Gustavo Petro

Considerando que o período de governo do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, está chegando ao fim, este ensaio apresenta um balanço das principais medidas implementadas pelo governo Petro no setor energético colombiano. Entre elas, destacam-se: (1) a criação e implementação de comunidades energéticas; (2) a expansão das fontes não convencionais de energia renovável no Sistema Interligado Nacional (SIN); (3) a política de hidrocarbonetos; (4) os programas voltados à redução das tarifas de energia elétrica; e (5) o reajuste gradual dos preços da gasolina e do diesel. O ensaio conclui que o governo Petro deixou uma agenda energética ambiciosa, com avanços relevantes na transição energética justa, especialmente por meio da expansão das energias renováveis e do desenvolvimento de comunidades energéticas. No entanto, persistem desafios importantes relacionados à segurança do abastecimento de gás, à sustentabilidade fiscal, à execução de projetos de energias renováveis não convencionais que ainda permanecem atrasados e aos efeitos distributivos associados ao aumento dos preços da gasolina e do diesel. Ao final, o artigo apresenta reflexões sobre os principais desafios que deverão ser enfrentados pelo próximo governo no setor energético colombiano.

Leia Mais »
Energia Elétrica

Impacto do Constrained-off nas Fontes Eólica e Solar Fotovoltaica no Brasil

O artigo analisa a evolução recente do constrained-off nas fontes eólica e solar fotovoltaica centralizada no Brasil. O estudo mostra que o constrained-off aumentou significativamente a partir de 2024, alcançando 20,7% em 2025, valor bem superior ao observado em diversos países. O constrained-off tem ocorrido principalmente por conta do excesso de oferta de eletricidade (Razão Energética) ou para garantir a segurança operacional do sistema (Confiabilidade). Dentre os fatores que explicam o aumento recente do constrained-off estão o apagão ocorrido em 2023 e o crescimento acelerado da Geração Distribuída (GD) desde 2021. Por fim, o artigo apresenta algumas ações que podem ajudar a reduzir o constrained-off no Brasil.

Leia Mais »
Energia Renovável

O desenvolvimento do conceito Waste to Energy e a ineficiência dos aterros sanitários

A disposição final de resíduos sólidos em aterros sanitários representa uma fonte significativa de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, sendo responsável por cerca de 63,09 MtCO2e em 2024. Apesar das infraestruturas de captação de biogás, as emissões fugitivas de metano permanecem elevadas, variando entre 20% e 35% devido a ineficiências estruturais e operacionais. Este estudo examina a transição do modelo de aterros convencionais para tecnologias de Waste-to-Energy (WtE) como uma alternativa estratégica para mitigar impactos ambientais e promover a economia circular. Por meio de uma análise comparativa de políticas internacionais e do cenário regulatório brasileiro emergente, o artigo destaca o potencial energético dos resíduos orgânicos urbanos. Os dados sugerem que o redirecionamento de resíduos orgânicos para biodigestores anaeróbios pode reduzir perdas de metano para níveis de 1,1%, além de oferecer uma fonte substancial de biometano. O estudo conclui que a expansão da infraestrutura WtE é essencial para que o Brasil atinja metas de descarbonização e otimize a gestão de resíduos.

Leia Mais »
Energia Elétrica

O papel do hidrogênio na redução de emissões em setores intensivos em energia

A integração do hidrogênio em processos térmicos industriais representa uma estratégia central para a descarbonização de setores intensivos em energia, como siderurgia, cimento, vidro e cerâmicas. Entretanto, sua adoção em larga escala enfrenta desafios regulatórios, que vão desde a ausência de marcos normativos específicos até a necessidade de padrões de segurança complexos. Do ponto de vista tecnológico, ainda são necessários avanços em infraestrutura, eficiência energética e adaptação de maquinários para operar com hidrogênio puro ou misturas. Por outro lado, o mercado global abre oportunidades significativas, impulsionadas por metas climáticas, políticas de incentivo e pressões de consumidores e investidores por soluções de baixo carbono. Compreender a convergência entre inovação tecnológica, regulação adequada e estratégias empresariais sustentáveis pode posicionar o hidrogênio como vetor‑chave na transição energética em setores intensivos em energia.

Leia Mais »
Bioenergia

Segurança Energética no Brasil: o Papel Estratégico do Biodiesel e do Biometano na Substituição do Diesel Importado

Este artigo analisa o papel dos biocombustíveis na segurança energética brasileira, com foco no potencial do biodiesel e do biometano para substituir o diesel importado. O cenário internacional de crescente instabilidade geopolítica nos mercados globais de energia, que tem provocado choques de oferta e forte volatilidade de preços (como o caso do conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã), tem ampliado a vulnerabilidade de países dependentes de importações de derivados. No Brasil, apesar de ser grande produtor de petróleo, a dependência estrutural de importações de diesel (20% a 25% do consumo) expõe a economia a riscos de preço e crises de abastecimento. A análise demonstra que o biodiesel já exerce papel relevante na redução dessa dependência, com produção significativa e capacidade instalada suficiente para sustentar a ampliação dos mandatos de mistura, podendo reduzir substancialmente as importações de diesel. O biometano, embora ainda incipiente, apresenta elevado potencial de expansão, especialmente no transporte pesado, podendo contribuir adicionalmente para a substituição do diesel. Conclui-se que a adoção de uma estratégia de longo prazo baseada na expansão desses biocombustíveis é essencial para reduzir a vulnerabilidade externa, fortalecer a segurança energética e avançar na descarbonização do setor de transportes no Brasil.

Leia Mais »
Receba nosso conteúdo por e-mail!

Temas

Indicadores

Mídia Social